Em foco 25.10.2026
Tecnologia Astronomia

Nuvem marciana de 1.800 km forma-se por nucleação homogênea

Investigadores simulam a gigantesca nuvem de gelo ao redor do vulcão Arsia Mons e apontam que vapor de água pode congelar diretamente sem partículas‑semeadoras.

Nuvem marciana de 1.800 km pode se formar por nucleação homogênea, revela estudo
Foto: Pixabay / Kranich17

Uma nuvem branca que se estende até 1.800 km ao redor do vulcão Arsia Mons, em Marte, tem explicação plausível: um processo de nucleação homogênea, nunca antes observado diretamente em atmosferas planetárias.

O fenômeno e sua periodicidade

Durante a primavera e o verão do hemisfério sul marciano, a chamada Arsia Mons Elongated Cloud (AMEC) surge ao amanhecer, cresce por várias horas e desaparece ao longo de meses. Detectada pela sonda Mars Express em 2018, a formação se repete anualmente, mas os modelos climáticos não conseguiam reproduzi‑la.

Simulação que inclui nucleação homogênea

Um estudo publicado na Nature Geoscience conseguiu replicar a nuvem ao inserir a nucleação homogênea nos cálculos. Normalmente, nuvens se formam quando vapor de água se condensa em partículas de poeira ou sais. Na hipótese dos autores, o vapor se transforma diretamente em cristais de gelo, sem precisar desses núcleos.

Jorge Hernández‑Bernal, autor principal, explicou que foi preciso considerar condições extremas para que o processo ocorresse. Quando o vento sopra sobre Arsia Mons, ele eleva rapidamente o ar úmido a altitudes de vários quilômetros, provocando um resfriamento de cerca de 30 °C em apenas 10 minutos. Essa queda brusca eleva a umidade relativa a níveis “mais de 100 mil vezes” superiores aos encontrados na Terra, favorecendo a formação direta de gelo.

Implicações e limitações

Embora a simulação apoie a hipótese, a ESA ressalta que alguns detalhes ainda não correspondem perfeitamente às observações reais. O fenômeno ainda não foi confirmado de forma definitiva, mas abre caminho para entender processos atmosféricos raros que podem ocorrer tanto em Marte quanto em outros planetas, como Vênus.

O que muda para você

Para o público geral, a descoberta indica que a ciência planetária está avançando ao adaptar conceitos terrestres a ambientes extremos. Embora não afete diretamente a vida cotidiana, o estudo demonstra a importância de modelos climáticos mais sofisticados, que podem melhorar previsões de clima em missões futuras e, a longo prazo, influenciar estratégias de exploração humana em Marte.

Fonte original: Pplware (Portugal)

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